quinta-feira, 28 de julho de 2011

Viagens - Itália - 2010

Basílica di San Lorenzo

A construção segue o mesmo padrão arquitetônico predominante em Firenze. Também, como outros monumentos, foi reparada por volta do Século XVI. Painéis de Michelangelo por toda parte, embora mais modesta ou menos suntuosa que outras desse porte. A temática central, como sempre, a dor, a tristeza, o infortúnio, a culpa, a salvação. Mensagens seculares lembrando a fragilidade humana e a atávica necessidade de buscar sistematicamente a vida eterna. E a promessa de encontrá-la algures. Ou alhures. Que cosa!

Firenze - Julho/2010

Battistero di San Giovanni

Obra monumental, acompanha a mesma estrutura e desenho do Duomo de Santa Maria di Fiori, conjunto do qual faz parte. A cúpula é totalmente coberta por afrescos onde predomina o dourado como pano de fundo; nela as pinturas repousam e contam histórias do "arco da velha". As figuras são retratadas sem perspectiva, todas "chapadas". Aquí, nesse ambiente, não está presente a tristeza fundamental, a fúria divina, mas a glória desejada e perseguida. Aleluia! Meno male.

Firenze - Julho/2010

Campo dei Miracoli de Pisa


Na praça, logo de início, percebe-se a harmonia do conjunto: Duomo, Battistero, Torre e Campanario. Predominam o granito branco e negro e as formas geométricas duras, de linhas longas e retas, e as curvas do Duomo e da Torre. O complexo tem leveza e elegância. Na Cattredale três magníficos altares disputam a atenção dos visitantes. Nas paredes laterais pinturas do período renascentista descrevem atos de grandeza e conquistas humanas e divinas. O teto é eloquente: totalmente em relevo de mosaicos quadrados, fundo azul-marinho e ouro nos frisos e recortes. Um espanto! A Torre, redonda, toda em mármore branco bem trabalhado, é a instalação onde reinam as curvss. Nenhuma concessão ao ângulo reto. É pena que chame a atenção mais pelo famoso erro de engenharia do que pela exuberante beleza. Interessante como desvio de cálculo estrutural tão primário pode atrair mais que a arte que quase destruiu. Seria a atração pelo desastre tão introjetada no ser humano a ponto de superar o fascínio que exala da obra estável? O que diria disso Leonardo da Vinci, criador das formas perfeitas e mestre das estruturas perenes? Scusa, signore!

Pisa - Julho/2010

Capella Santo Spirito

Mistura de estilos: Renascença, Barroco, Fiorentino. Permanece a opulência e o culto à dor, ao sofrimento, à desesperança, verificado em todas as outras "chiesas". Uma opulência desmesurada para os dias de hoje; o que não foi no contexto dos anos 1000, onde a Miséria e o Infortúnio dominavam? No ar, como sempre, a arrogante promessa de salvação! Salvar de quê... ou do quê... ou de quem? Insanidade. Que paura!

Firenze, Julho/2010

Cappelle Medicee

Uma apoteose! Francamente e propositadamente arrogante no esplendor da riqueza desnecessária e fútil. Pecaminosamente soberba. A composição dos mosaicos em pedras de várias cores, tamanhos e origens, marca toda a construção dando-lhe aspecto elegante e faustoso, ao mesmo tempo que demonstra todo o poder absoluto e imperial da "dinastia". A Sacristia Nuova, no contexto, impressiona pela beleza grandiosa e singela presente na perfeição das obras de Michelangelo, todas em mármore pérola. Um espanto! E come mai?

Firenze - Julho/2010

Chiesa Cattedrale San Martino

Impera o gótico: colunas retangulares e simétricamenre instaladas ao longo da pequena nave. O teto, sem quaisquer pinturas ou afrescos, é composto de pequenos arcos côncavos não alinhados entre si; dão sensação de descuido estético. Puro engano do observador apressado e impaciente. Olhando melhor, percebe-se que a beleza está justamemte nessa não conformidade com o exato, com as formas óbvias e previsíveis. Uma surpresa! Agradável. Mamma mia!

Lucca - Julho/2010

Chiesa di San Marco

Dedicada a Fra Angélico, cuhas pinturas estão por toda parte. Embora o rico dourado em todo o teto da nave central, não aparenta a mesma exuberância encontrada em outras "chiesas" do mesmo porte. A sustentação do teto plano é feita por colunas romanicas, algumas semi-enbutidas nas paredes laterais onde podem ser encontrados arcos que aparentemente têm função meramente decorativa. No altar-mor o principal elemento são as paletas do órgão musical, ricamente encimado por duas grandes esculturas de belas figuras humanas revestidas de dourado. Ouro? Bronze? Pouco importa. O som produzido pelo órgão é impressionante e o fato de se encontrar instalado ao fundo da nave produz sensação acústica extrenamente agradável que preenche todo o ambiente. No altar principal - há dois - nenhuma referência ou alegoria visível ao patrono San Marcos! Na profusão - ou confusão - de estilos, podem ser encontrados tanto delicados anjos Barrocos quanto duros entalhes à Rococó. Uma surpresa! Per la madonna!

Firenze - Julho/2010

Chiesa di Santa Maria Maggiore

Singela, vitrais em tons escuros, predominante o vermelho. Sensação de acolhimento, talvez resultado da luz tímida e difusa. O interior aparenta estar sempre na sombra. As paredes são inteiramente revestidas com pinturas chapadas, cores pastéis. Os afrescos e alegorias em tons cinza-pálido. O altar-mor não tem qualquer imagem, mas grandes e grossos tubos de imenso órgão em quase toda sua extensão. O lado externo não possui acabamento sofisticado; permaneceu nos tijolos. Tudo muito sóbrio, simples, beirando o recato. Uma emanente suavidade. Eppur si muove!

Firenze - Julho/2010

Chiesa San Miniato al Monte

Erguida no início do século XI sobre um dos pontos mais elevados da cidade, cercada por um bosque bem cuidado, apresenta estilo semelhante às "chiesas" de Siena: predomínio dos granitos verdes, negros e brancos. A cobertura, porém, surpreende pelo formato triangular característico dos monumentos gregos, embora seja uma construção românica. Intriga por que não foi utilizada a técnica baseada em arcos desenvolvida em Roma, bem mais compatível com o período de seu projeto. Ideologia? As sustentações são em colunas misto de jônico e românico encimadas por arcos para distribuir a demanda estrutural. Nas paredes laterais vêem-se pinturas onde as imagens são lisas e sem perspectiva, com predominância de cores pastéis, embora no altar principal o ouro apareça com generosidade. Os frisos nas paredes e suportes do altar-mor são formados de pequenos mosaicos que remetem aos desenhos dos azulejos portugueses. Essa composição cria ambiente de menor opulência. E tristeza. Dove ché la uscita?

Firenze - Julho/2010

Museo delll'Opera del Duomo

Arte sacra, riquissima, bem conservada e exposta de maneira singela. Parece que houve intenção de disfarçar a exuberância das pinturas, todas compostas com profusão de filetes e finissimos assoalhos de ouro. Esse arranjo, intencional ou não, confere ao conjunto ar de elegância e mistério. Não há sinais evidentes de arrogância na riqueza. Ao contrário, constrangimento ou timidez em expô-la. Já é alguma coisa. Grazie mille.

Siena - Julho/2010

Battistero di San Giovanni

Integra o conjunto da Cattedrale, dele, portanto, não diferindo. Chama a atenção o teto bem estruturado, em formato de cúpula, todo coberto de afrescos com predominância do azul profundo e dourado brilhante. Pure...

Siena - Julho/2910

Cattedrale Santa Maria della Scala

Impressiona a harmonia. Tanto os revestimentos externos quanto os internos possuem características semelhantes. O cuidado com os detalhes pode ser encontrado por toda parte. É o ponto forte. As colunas listradas em granito negro e branco refletem o desenho básico que permeia as instalações de grande porte. O piso da nave central é também obra de arte que não ficou relegada a plano inferior nem descuidada. Chega a ser constrangedor caminhar sobre ele; há meia dúzia de mosaicos que poderiam estar enriquecendo qualquer parede. Do lado externo, quebrando a monotonia do que poderia ser a imposição marcante da estética do negro e branco, encontram-se longos frisos de granito rosa pálido, adereços de extremo bom-gosto que personalizam o najestoso conjunto. Comme prima, anque píu bella.

Siena - Julho/2010

St Marks English Church

Pequena Capella Anglicana cujo interior apresenta teto composto unicamente pelos arcos que ligam as grossas colunas retangulares. As alegorias, símbolos e ícones, comuns em templos religiosos, são mínimos, quase ausentes. A pequena distância entre as colunas e a baixa altura do vão compreendido entre o piso e o teto cria ambiente de corredor e porão na nave principal, que tem ao fundo pequeno e singelo balcão à guisa de altar. A sensação inicial tangencia o desconforto mais que a paz e a intimidade talvez pretendida pelo projetista. Há uma beleza bruta e agressiva que não facilita nem a introspecção nem o recolhimento nem a reflexão. Isso, mais que outros detalhes, a diferencia das demais "chiesas" de Firenze. Cosa facciamo?

Firenze - Julho/2010

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