quinta-feira, 28 de julho de 2011

Viagens - Cancún 1 - 2010

Aeroporto

Compre! Compre! Compre! Compre! Compre! Compre!...
Espere não.
Compre! Compre! Compre! Compre! Compre!...
Pouco é vão.
Compre! Compre! Compre! Compre!...
Use o cartão.
Compre! Compre! Compre!...
Que sensação.
Compre! Compre!...
É o coração.
Compre!...
Preciso não.

Perfumes


Quando o grande avião abriu as portas e comecei a descer no Aeroporto de Cancún, senti um cheiro diferente, característico, agradável, único. Procurei na memória qualquer indício de acontecimento relacionado a ele. Não encontrei. Era perfume novo.

Tenho relacionamento antigo, uma história com os perfumes. Certos cheiros lembram fatos e remetem a momentos marcantes em minha vida. Para muitas pessoas as imagens é que ficam gravadas na memória e lhes trazem recordações. Comigo isso ocorre principalmente com o sentido do olfato. O cheiro de maçã me retorna imediatamente à infância. Transporta-me aos Natais. Uma viagem sentimental à querida Pitangui.

Meu pai ia a Belo Horizonte para as compras e na volta trazia brinquedos para distribuir na manhã de Natal. E uma manzana argentina para cada filho. Grande, vermelha, envolta em papel cinza-azulado. Eu ficava alguns dias olhando e cheirando aquela fruta mágica. Buscando prolongar a fantasia do Natal. Quando a comia dias depois, saboreando com olhos, boca e nariz, lá pelo Ano Novo, o fazia devagarinho, em atitude respeitosa, carinhosa, como num ritual. Depois, terminada aquela verdadeira adoração, restava ficar sonhando nos meses seguintes durante a espera pelo novo Natal. Eu gostava de conservar aquele aroma e não o deixava ir embora.

Natal tem cheiro de maçã argentina. E as maçãs argentinas, onde quer que as encontre, devolvem o Natal para mim.

Em Cancún senti um novo cheiro. Único. Inconfundível. Que só encontrarei novamente aqui. Cheiro da saudade. Saudade do que não aconteceu.

Cancún, México - Novembro/2010

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